Empresários articulam no Senado para tentar frear proposta do fim da escala 6x1
Grupo ligado ao setor produtivo busca apoio de Davi Alcolumbre após acordo entre Lula e Hugo Motta acelerar tramitação da PEC
26/05/2026 - 09:51
Empresários e lideranças políticas ligadas ao Centrão iniciaram uma articulação junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para tentar desacelerar ou modificar a proposta de emenda constitucional que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. A movimentação ocorre após o acordo firmado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta, que estabeleceu uma transição mais rápida para implementação das mudanças.
Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, representantes do setor empresarial foram pegos de surpresa com a definição de um prazo de apenas um ano para adaptação das empresas às novas regras. A expectativa inicial era de uma transição gradual de até quatro anos. Agora, a estratégia do grupo é transferir as negociações para o Senado Federal, onde esperam encontrar mais espaço para alongar os prazos ou até adiar a discussão para depois do período eleitoral.
Uma reunião entre empresários, integrantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o senador Davi Alcolumbre está prevista para esta terça-feira (26). O setor produtivo argumenta que a redução acelerada da jornada pode provocar aumento de custos operacionais, impacto nos preços ao consumidor e dificuldades de adaptação para diversos segmentos da economia.
Pelo acordo anunciado pelo governo federal e pela Câmara dos Deputados, a jornada semanal cairia inicialmente de 44 para 42 horas cerca de 60 dias após a promulgação da PEC. Depois de 14 meses, o limite passaria para 40 horas semanais. A proposta também extingue oficialmente a escala de seis dias de trabalho para um de descanso logo nos primeiros meses de vigência.
Mesmo diante da resistência de parte do empresariado, líderes governistas avaliam que o tema ganhou forte apoio popular e se tornou politicamente sensível em ano pré-eleitoral. No Senado, a proposta ainda precisará passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de seguir para votação em plenário.