SUS implementará exame de DNA-HPV para substituir Papanicolau
Novo método aumenta intervalo entre coletas e aprimora detecção precoce do câncer de colo do útero

27/03/2025 - 12:03

O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciará, ainda em 2025, a substituição gradual do exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV para o rastreamento do câncer de colo do útero. Essa mudança permitirá que, em casos de resultados negativos para o vírus, o intervalo entre as coletas seja ampliado para cinco anos. A faixa etária para a realização do exame permanece entre 25 e 49 anos para mulheres assintomáticas ou sem suspeita de infecção. 

O câncer de colo do útero é o terceiro mais incidente entre as mulheres brasileiras, com aproximadamente 17 mil novos casos anuais. O HPV é responsável por mais de 99% desses casos. Especialistas acreditam que, com altas coberturas de vacinação e exames de rastreamento organizados, a doença pode ser erradicada em cerca de 20 anos.

O teste molecular de DNA-HPV é recomendado pela Organização Mundial da Saúde desde 2021 devido à sua maior sensibilidade na detecção precoce de lesões precursoras do câncer. Além de identificar a presença do vírus, o exame permite determinar o subtipo do HPV, facilitando a identificação de variantes com maior risco de evolução para o câncer. 

Segundo o pesquisador Itamar Bento, da Divisão de Detecção Precoce do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a confiabilidade do teste de DNA-HPV justifica o espaçamento maior entre as coletas. "O teste DNA-HPV tem um valor preditivo negativo muito forte, ou seja, se a pessoa tiver resultado negativo, a gente pode de fato confiar nesse resultado", afirma Bento.

A implementação do novo exame será acompanhada por estratégias de rastreamento organizado, nas quais o sistema de saúde buscará ativamente as mulheres dentro da faixa etária recomendada, garantindo acesso à confirmação diagnóstica e ao tratamento quando necessário. Dados do Sistema de Informação do Câncer indicam que, entre 2021 e 2023, apenas três estados brasileiros alcançaram cobertura próxima de 50% do público-alvo para o exame Papanicolau, evidenciando a necessidade de aprimoramento nas estratégias de rastreamento. 

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