Justiça de Goiás revela uso indevido de documentos de clientes de copiadora em esquema de lavagem de dinheiro
Copiadora localizada em shopping teria vinculado dados pessoais de clientes a transações irregulares em organização criminosa, diz sentença judicial

16/01/2026 - 11:16

Justiça de Goiás revela uso indevido de documentos de clientes de copiadora em esquema de lavagem de dinheiro

Uma investigação judicial em Goiás identificou que uma copiadora instalada em um shopping de Goiânia foi usada como instrumento para um esquema milionário de lavagem de dinheiro, no qual dados pessoais de clientes foram usados sem consentimento para movimentar recursos vinculados a atividades criminosas. A prática irregular veio à tona no curso das apurações que embasaram a sentença proferida pela Justiça estadual nesta sexta-feira.

Conforme consta nos autos, os documentos pessoais foram copiados de forma rotineira pelos clientes, mas posteriormente vinculados a transações financeiras irregulares que integravam um esquema de lavagem de dinheiro associado à facção criminosa Comando Vermelho. A investigação, que teve origem na Operação Red Bank, rastreou o fluxo de quase R$ 500 milhões movimentados pela organização e revelou a atuação do estabelecimento como meio para mascarar identidades e transações.

Segundo a decisão judicial, o empresário José Edvarde de Lima Filho e o integrante da facção André Luiz Oliveira Lima foram considerados responsáveis pela estrutura criminosa. A sentença condenou André Luiz a 11 anos, quatro meses e 20 dias de prisão em regime fechado, enquanto José Edvarde recebeu sete anos e seis meses de reclusão, também em regime fechado. Além das penas privativas de liberdade, ambos foram condenados ao pagamento solidário de R$ 500 milhões por danos morais coletivos, em razão do impacto social causado pelo esquema.

O uso de empresas de fachada e técnicas como “smurfing”, que fragmenta grandes quantias em várias operações menores para dificultar a detecção das autoridades, foi identificado ao longo das diligências. Durante a investigação, a polícia apreendeu cerca de R$ 2 milhões em espécie e 25 veículos de luxo, incluindo modelos como Ferrari e Mustang, muitos dos quais registrados em nome de terceiros ligados ao esquema.

A Justiça de Goiás entendeu que a atuação da copiadora e dos envolvidos representou não apenas infrações penais graves, como lavagem de dinheiro e associação criminosa, mas também uma violação dos direitos individuais dos clientes cujos dados foram usados sem consentimento. A sentença marca uma das maiores condenações relacionadas a lavagem de dinheiro no estado nos últimos anos.

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