Polícia Federal deflagra Operação Barco de Papel contra investimentos da previdência do Rio de Janeiro ligados ao Banco Master
A PF apura crimes como gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução a erro de repartição pública e fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.
23/01/2026 - 10:27
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (23 de janeiro de 2026) a Operação Barco de Papel, com cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, para investigar possíveis operações financeiras irregulares que expuseram a patrimônio do fundo de previdência dos servidores Rioprevidência a risco elevado. As ordens judiciais foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, e os alvos incluem endereços residenciais e a sede da autarquia no Centro do Rio.
A apuração — iniciada em novembro de 2025 — foca em nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de cerca de R$ 970 milhões de recursos do Rioprevidência em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição que foi posteriormente liquidada pelo Banco Central em 19 de novembro de 2025 por irregularidades no mercado financeiro.
Entre os investigados estão Deivis Marcon Antunes, diretor-presidente do Rioprevidência, Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-diretor de investimentos interino, que tiveram mandados cumpridos tanto na sede da instituição quanto em suas residências nos bairros da Urca e do Botafogo. A PF apura crimes como gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução a erro de repartição pública e fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.
O foco da investigação é entender se os gestores do fundo — responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro — tomaram decisões que colocaram em risco o patrimônio de segurados ao investir substancial volume de recursos em ativos de alto risco emitidos por uma instituição financeira posteriormente declarada insolvente pelo Banco Central. A operação integra o desdobramento das investigações do caso Banco Master, que tem mobilizado órgãos de controle e ação penal no sistema financeiro nacional.