Planalto articula estratégia para proteger ministros do STF e pressiona oposição na CPI do Crime Organizado
Entre os alvos dessas manobras estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ex-ministros do governo anterior como Paulo Guedes, João Roma e Ronaldo Bento, e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.
24/02/2026 - 12:02
O Palácio do Planalto organizou uma ofensiva política para tentar blindar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado no Senado, tema que tem provocado intensas disputas no Congresso Nacional.
Na segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e o senador Jaques Wagner (PT-BA) apresentaram 21 requerimentos à CPI, voltados principalmente à oposição e a aliados políticos adversários, numa tentativa de diluir o foco das investigações sobre os ministros do STF e sobre membros do Executivo.
Entre os alvos dessas manobras estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ex-ministros do governo anterior como Paulo Guedes, João Roma e Ronaldo Bento, e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Também há pedidos para convocar outros governadores de oposição e figuras ligadas ao PL e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo a tentativa de ouvir Letícia Caetano dos Reis, ex-contadora de Flávio Bolsonaro.
O objetivo dessa estratégia é neutralizar iniciativas de parlamentares de oposição que querem avançar com convocações dos ministros Moraes e Toffoli na CPI, e também incluir outras forças políticas na pauta de debates.
O Partido dos Trabalhadores (PT) controla a pauta da CPI porque o presidente do colegiado — o senador Fabiano Contarato (PT-ES) — é do partido, o que pode permitir que os novos requerimentos apresentados pelo bloco governista sejam votados com prioridade nas sessões.
Apesar dessa articulação do governo, a oposição acredita que ainda poderia reunir votos suficientes para aprovar convocações de Moraes e Toffoli. A CPI conta com 12 integrantes, sendo cinco alinhados à oposição, e o voto decisivo poderia vir do senador Alessandro Vieira (MDB-SE).