Maioria das vítimas de feminicídio não tinha medidas protetivas, aponta especialista
Dados revelam falhas na proteção e dificuldade de denúncia em casos de violência contra mulheres
09/03/2026 - 12:35
Dados da Polícia Militar de Goiás (PM-GO) indicam que cerca de 90% das vítimas de feminicídio não possuíam medidas protetivas contra seus agressores no momento do crime. O levantamento evidencia fragilidades no sistema de proteção às mulheres e reforça a necessidade de ampliar mecanismos de prevenção e denúncia.
Além do cenário em Goiás, estatísticas nacionais também mostram a gravidade da situação. No Brasil, em média quatro mulheres são assassinadas por dia em crimes relacionados ao gênero, o que mantém o feminicídio como um dos principais desafios na área de segurança pública e direitos humanos.
Para a especialista em defesa dos direitos das mulheres Ana Carolina Fleury, o problema não está apenas na legislação, mas principalmente na forma como ela é aplicada. Segundo ela, a medida protetiva é um instrumento importante e pode salvar vidas, porém muitas vezes há falhas na fiscalização e demora na resposta do Estado quando a ordem judicial é descumprida.
Outro fator que contribui para o problema é a subnotificação dos casos de violência doméstica. Pesquisas indicam que mais de 60% das mulheres não solicitam medidas protetivas, muitas vezes por medo, dependência financeira ou sensação de impunidade. Especialistas também apontam que a cultura machista e novas formas de violência, inclusive digital, dificultam ainda mais o enfrentamento do problema.