Uma investigação da Polícia Civil de Goiás revelou um esquema criminoso de venda de vagas no Sistema Único de Saúde (SUS), que vinha impactando diretamente as filas de cirurgias, exames e consultas no estado. A fraude foi alvo de uma operação deflagrada no dia 7 de abril, com cumprimento de dezenas de mandados judiciais em Goiânia e em outros municípios goianos.
De acordo com as apurações, o grupo atuava inserindo pacientes de forma irregular nos sistemas de regulação da saúde, como o SISREG e o SERVIR, responsáveis por organizar o acesso aos atendimentos públicos. Mediante pagamento de propina, os envolvidos conseguiam antecipar procedimentos ou alterar a prioridade na fila, prejudicando quem aguardava atendimento de forma regular.
A operação, conduzida pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), cumpriu 52 mandados judiciais, incluindo prisões, buscas e apreensões, afastamento de servidores públicos e quebras de sigilos bancários e fiscais. As ações ocorreram em pelo menos dez cidades, entre elas Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Catalão.
As investigações apontam que o esquema contava com a participação de agentes públicos e intermediários, que manipulavam dados nos sistemas oficiais para beneficiar pacientes que pagavam pelo serviço ilegal. A prática comprometia a ordem de atendimento e sobrecarregava o sistema, ampliando o tempo de espera para milhares de usuários do SUS.
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás informou que as irregularidades foram identificadas por meio de monitoramento interno e destacou que colaborou com as investigações. Os suspeitos poderão responder por crimes como corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informação e associação criminosa.