A mineradora brasileira Serra Verde, responsável por uma das mais importantes jazidas de terras raras do país, foi vendida para a empresa norte-americana USA Rare Earth por cerca de US$ 2,8 bilhões. A operação, anunciada em abril de 2026, envolve a aquisição de 100% do grupo que explora a mina de Pela Ema, localizada em Minaçu, no norte de Goiás.
A mina goiana é considerada estratégica por ser a única fora da Ásia capaz de produzir, em larga escala, os principais elementos de terras raras magnéticas, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Esses minerais são essenciais para a fabricação de tecnologias avançadas, incluindo carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.
O acordo prevê pagamento em dinheiro e também em ações da companhia americana, além de depender de aprovações regulatórias para ser concluído, o que deve ocorrer até o terceiro trimestre de 2026. A operação faz parte de uma estratégia dos Estados Unidos para reduzir a dependência da China, que atualmente domina a produção global desses insumos estratégicos.
Com a venda, o Brasil passa a ocupar posição ainda mais relevante no cenário internacional de minerais críticos. Especialistas apontam que o negócio pode redesenhar a cadeia global de fornecimento de terras raras, ao integrar a produção brasileira a uma estrutura multinacional voltada desde a mineração até a fabricação de ímãs de alta tecnologia.
Apesar da mudança de controle, as operações da mina em Goiás devem continuar normalmente, mantendo a produção local. A expectativa é que o investimento amplie a capacidade produtiva nos próximos anos e fortaleça a presença do país em um setor considerado estratégico para a economia e a geopolítica mundial.