Inflação e juros altos pressionam orçamento das famílias, alertam agências de risco
Endividamento cresce no país e pode afetar economia e crédito no longo prazo
22/04/2026 - 10:30
Agências de classificação de risco têm alertado que a combinação de inflação elevada e juros altos está corroendo o orçamento das famílias brasileiras. De acordo com análise divulgada nesta quarta-feira (22), o cenário tem reduzido a capacidade de pagamento, principalmente entre consumidores que dependem de crédito, como empréstimos e financiamentos.
Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, o aumento do endividamento reflete diretamente esse ambiente econômico. Mesmo com o mercado de trabalho ainda aquecido, muitas famílias têm maior parte da renda comprometida com dívidas, atingindo níveis recordes no país. A situação é agravada por taxas de juros consideradas estruturalmente altas no Brasil, o que encarece o crédito e dificulta a quitação de débitos.
A taxa básica de juros (Selic), que chegou a patamares próximos dos mais altos em duas décadas, mantém a política monetária restritiva. Mesmo com cortes recentes, o custo do dinheiro segue elevado, impactando diretamente financiamentos, cartões de crédito e outras formas de consumo parcelado.
As agências avaliam que, no curto prazo, o cenário não representa risco imediato à estabilidade financeira do país. No entanto, há preocupação com os efeitos de longo prazo: caso o endividamento continue crescendo sem controle, pode haver impacto negativo na avaliação de crédito do Brasil e no crescimento econômico.
Medidas adotadas pelo governo, como a liberação de recursos do FGTS para pagamento de dívidas, são vistas como paliativas. Para especialistas, a solução estrutural passa pela redução consistente das taxas de juros e por políticas que melhorem a educação financeira da população, evitando o avanço de uma “bola de neve” de dívidas.