Poder de compra do brasileiro cresce abaixo da média global desde 2015
Desempenho inferior ao mundial evidencia perda de ritmo econômico e reforça desafio estrutural da chamada “armadilha da renda média”
04/05/2026 - 12:00
O poder de compra do brasileiro vem crescendo em ritmo inferior ao da média mundial desde 2015, segundo levantamento com base em dados econômicos internacionais. O indicador utilizado é o PIB per capita ajustado pela paridade do poder de compra (PPP), que permite comparar de forma mais precisa o nível de renda entre países. O cenário aponta que o Brasil tem perdido espaço relativo no contexto global nas últimas décadas.
De acordo com os dados, entre 1980 e 2025, o PIB per capita global teve crescimento de 675%, passando de cerca de US$ 3,3 mil para mais de US$ 26 mil. No mesmo período, o Brasil registrou avanço de 428%, saindo de aproximadamente US$ 4,4 mil para US$ 23,3 mil. Apesar do crescimento, o desempenho nacional ficou aquém da média mundial, ampliando a diferença econômica.
Especialistas apontam que esse resultado está ligado a fatores estruturais, como baixa produtividade, ambiente de negócios complexo e níveis insuficientes de investimento. Além disso, crises econômicas — especialmente a recessão de 2015 e 2016 — contribuíram para a perda de dinamismo da economia brasileira, momento em que o desempenho global passou a superar o nacional.
Estudos indicam que, se o Brasil tivesse acompanhado o ritmo de países que tinham nível semelhante de desenvolvimento nos anos 1980, como Coreia do Sul e Romênia, a renda média do brasileiro hoje seria significativamente maior. Estimativas apontam que o PIB per capita poderia chegar a cerca de US$ 31,9 mil — aproximadamente US$ 13,4 mil acima do valor atual.
O diagnóstico reforça que o país enfrenta a chamada “armadilha da renda média”, quando economias deixam de avançar para níveis mais elevados de renda. Economistas alertam que, sem reformas estruturais e aumento da produtividade, o Brasil corre o risco de continuar perdendo competitividade, inclusive em áreas estratégicas como tecnologia e inovação.