O Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a registrar altos índices de reprovação entre os brasileiros, segundo pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha. O levantamento aponta que 40% da população avalia o trabalho dos ministros da Corte como ruim ou péssimo, mantendo o tribunal no pior patamar da série histórica iniciada em 2019. Apenas 22% consideram a atuação do STF ótima ou boa, enquanto 34% classificam o desempenho como regular.
A pesquisa foi realizada nos dias 12 e 13 de maio com 2.004 pessoas acima de 16 anos em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais. De acordo com o levantamento, a imagem negativa do STF ocorre em meio ao desgaste provocado pelo chamado “caso Master”, que envolve suspeitas relacionadas ao Banco Master e atingiu diretamente ministros como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Além disso, críticas sobre benefícios salariais no Judiciário e divergências internas entre magistrados também contribuíram para o cenário de crise.
O levantamento também revelou forte divisão política na percepção sobre o STF. Entre eleitores alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a avaliação positiva da Corte é maior. Já entre apoiadores do senador Flávio Bolsonaro, a rejeição ao Supremo ultrapassa 60%. O tema ganhou ainda mais relevância no cenário eleitoral de 2026, já que setores ligados ao bolsonarismo defendem ampliar a bancada no Senado para pressionar por pedidos de impeachment de ministros do STF.
Os dados do Datafolha também mostram diferenças sociais na avaliação da Corte. A reprovação é maior entre homens, pessoas com maior escolaridade e cidadãos com renda mais alta. Entre brasileiros com ensino superior, por exemplo, 48% avaliam negativamente o STF. Já nas faixas de renda acima de dez salários mínimos, a rejeição chega a 63%. O tribunal vive atualmente um período de tensão interna, com divergências entre grupos de ministros e discussões sobre medidas para melhorar a imagem institucional da Corte perante a população.