Inflação sobe para famílias de baixa renda em abril, aponta Ipea
Alta nos preços da energia elétrica, medicamentos e alimentos pressionou orçamento das famílias mais pobres no país
21/05/2026 - 11:05
A inflação voltou a subir em abril para as famílias brasileiras de baixa renda, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com o estudo, a inflação para famílias com renda mensal de até R$ 2.299,82 passou de 0,85% em março para 0,92% em abril, sendo a única faixa de renda a registrar aceleração no período. Já entre as famílias com rendimentos mais altos, houve desaceleração da inflação no mesmo mês.
Segundo o Ipea, os principais responsáveis pelo aumento dos custos para a população mais pobre foram os reajustes na energia elétrica, que subiu 0,72%, e nos produtos farmacêuticos, com alta de 1,8%. O impacto desses itens pesa mais fortemente no orçamento das famílias de renda muito baixa, que comprometem parcela significativa da renda com despesas básicas.
Além disso, os preços dos alimentos também continuaram pressionando o bolso dos consumidores. Entre os produtos que mais subiram em abril estão arroz (2,5%), feijão carioca (3,5%), batata (6,6%), carnes (1,6%), ovos (1,7%) e leite, que teve aumento expressivo de 13,7%. O grupo de saúde e cuidados pessoais também registrou elevação, puxada pelos artigos de higiene e reajustes nos serviços médicos.
O levantamento ainda aponta que os combustíveis tiveram alta de 1,8% em abril, influenciados pelo cenário internacional e pelas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Mesmo com a aceleração recente, o Ipea destaca que, no acumulado de 12 meses, as famílias de renda muito baixa ainda apresentam a menor inflação entre todas as faixas analisadas, com índice de 3,83%.
No acumulado entre janeiro e abril de 2026, a inflação para as famílias de baixa renda chegou a 2,66%. Economistas alertam que a continuidade da alta nos preços de itens essenciais pode reduzir ainda mais o poder de compra das famílias mais vulneráveis, especialmente em um cenário de juros elevados e encarecimento do custo de vida no país.