Descontos de empréstimos comprometem mais de 70% do salário de 3,3 mil servidores em Goiás
Auditoria do TCE-GO revela casos de superendividamento no funcionalismo estadual e aponta falhas no controle de consignados, com impacto mais forte em militares e educadores.

26/06/2026 - 09:22

Descontos de empréstimos comprometem mais de 70% do salário de 3,3 mil servidores em Goiás

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) identificou que 3.339 servidores públicos estaduais, entre ativos, aposentados e pensionistas, tiveram mais de 70% da renda comprometida por descontos de empréstimos e outras consignações em folha. Os dados são referentes a fevereiro deste ano e apontam situação de superendividamento acima do limite previsto em lei.

Segundo o levantamento, 2.925 servidores tiveram entre 70% e 90% do salário comprometido, enquanto 414 casos ultrapassaram 90% da remuneração bruta. A legislação estadual estabelece que o teto das consignações não pode ultrapassar 70% da renda, o que inclui descontos obrigatórios e facultativos, como empréstimos consignados, impostos e previdência.

A auditoria também aponta que o problema está concentrado em determinadas áreas do funcionalismo. A Polícia Militar responde por cerca de 41% dos casos, seguida pela Secretaria de Estado da Educação (18%) e pela Polícia Civil (9,4%), indicando maior incidência entre categorias com forte uso de crédito consignado.

De acordo com o TCE-GO, quase 60% dos servidores estaduais possuem ao menos um empréstimo consignado ativo, o que representa mais de 287 mil operações financeiras em andamento. O volume total movimentado chega a aproximadamente R$ 157 milhões, ampliando o risco de superendividamento e reduzindo a renda disponível para despesas básicas.

O relatório também destaca que o governo estadual já foi informado das inconsistências e iniciou ajustes nos sistemas de desconto em folha. A Secretaria de Estado da Administração (Sead) informou que algumas consignações podem ser reduzidas ou suspensas temporariamente enquanto os contratos são readequados ao limite legal estabelecido.

O TCE-GO segue acompanhando o caso e deve concluir a auditoria com recomendações adicionais para aprimorar o controle das consignações e evitar novas ocorrências de comprometimento excessivo da renda dos servidores.

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