Direita supera esquerda entre eleitores pela primeira vez desde 2014, aponta Datafolha
Levantamento mostra mudança na identificação ideológica dos brasileiros e indica avanço do campo da direita em relação às últimas pesquisas realizadas pelo instituto.
06/07/2026 - 09:43
Uma pesquisa do Datafolha revelou que, pela primeira vez desde 2014, o número de brasileiros que se identificam com a direita ou centro-direita superou o contingente daqueles que se consideram de esquerda ou centro-esquerda. Segundo o levantamento, 44% dos entrevistados afirmaram se posicionar à direita ou centro-direita, enquanto 39% disseram se identificar com a esquerda ou centro-esquerda. Outros 17% declararam posição de centro, não souberam responder ou afirmaram não possuir identificação ideológica. A diferença de cinco pontos percentuais está acima da margem de erro da pesquisa, estimada em dois pontos para mais ou para menos.
O estudo mostra uma inversão em relação ao cenário observado em 2022, quando o Datafolha registrava 49% de identificação com a esquerda e 34% com a direita. Já em 2014, a direita aparecia numericamente à frente da esquerda, com 45% contra 35%. Nas pesquisas seguintes houve oscilações, incluindo um empate técnico em 2017, até que a esquerda assumiu vantagem em 2022. Agora, o levantamento indica uma nova mudança no perfil ideológico do eleitorado brasileiro.
A pesquisa foi realizada em meio ao cenário de pré-campanha para as eleições de 2026 e buscou medir a autodeclaração ideológica dos entrevistados, sem relacioná-la diretamente à intenção de voto para candidatos específicos. O resultado reflete a percepção política dos brasileiros e pode influenciar as estratégias adotadas por partidos e pré-candidatos durante a campanha eleitoral, especialmente na definição de discursos e propostas voltadas aos diferentes segmentos do eleitorado.
O levantamento reforça ainda a continuidade da polarização política no país, embora a identificação ideológica dos eleitores tenha apresentado mudanças significativas ao longo dos últimos anos. Especialistas avaliam que fatores econômicos, sociais e o ambiente político nacional contribuíram para essa reorganização do eleitorado, cenário que deve permanecer em evidência durante a disputa presidencial e as demais eleições de 2026.