Brasil avança em negociações com os EUA, mas mantém etanol fora das discussões comerciais
Governo brasileiro vê abertura para ampliar a cooperação bilateral, porém reafirma que o etanol não será negociado separadamente nas tratativas sobre novas tarifas.
08/07/2026 - 09:10
O governo brasileiro identificou avanços nas negociações com os Estados Unidos para evitar a aplicação de novas tarifas sobre produtos nacionais. Segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, houve uma sinalização positiva dos norte-americanos para ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime transnacional. Uma nova rodada de reuniões entre os dois países deve ocorrer ainda nesta semana, antes do encerramento da consulta pública conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Apesar do avanço nas conversas, o governo brasileiro reafirmou que o etanol permanecerá fora da negociação. De acordo com Márcio Elias Rosa, o Brasil não aceitará discutir o biocombustível de forma isolada, já que a cadeia produtiva do etanol está diretamente ligada à do açúcar. O entendimento é de que qualquer eventual negociação deve considerar o setor sucroenergético como um todo, preservando os interesses da indústria nacional.
A posição do governo conta com o apoio do setor de bioenergia. Representantes da indústria afirmam que a produção brasileira de etanol, incluindo o crescimento do etanol de milho, fortaleceu a competitividade do país e não justifica mudanças nas atuais regras comerciais. Além disso, o Brasil avalia que abrir mão da política adotada para o combustível poderia gerar impactos negativos para produtores e exportadores nacionais.
As negociações ocorrem paralelamente à investigação conduzida pelo USTR sobre práticas comerciais brasileiras, que poderá resultar na imposição de novas sobretaxas a produtos exportados pelo Brasil. O governo brasileiro afirma que continuará dialogando com as autoridades norte-americanas para buscar uma solução negociada e evitar prejuízos às relações comerciais entre os dois países.