Limite de exportação para a China pressiona frigoríficos e pode reduzir preço da carne no Brasil
Restrição imposta pelo mercado chinês leva indústrias a reverem a produção, buscar novos destinos para exportação e pode ampliar a oferta de carne bovina no mercado interno.

13/07/2026 - 09:20

Limite de exportação para a China pressiona frigoríficos e pode reduzir preço da carne no Brasil

A aproximação do limite da cota de exportação de carne bovina para a China já provoca impactos na cadeia produtiva brasileira. Com o volume permitido praticamente preenchido, frigoríficos começaram a reduzir o ritmo de abates, estudam conceder férias coletivas e buscam alternativas para direcionar parte da produção que antes seria destinada ao principal parceiro comercial do setor.

A medida faz parte de uma política comercial adotada por Pequim para proteger os produtores locais. A cota anual estabelece um limite de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina importada com tarifa de 12%. Após esse teto, as exportações passam a ser tributadas com uma sobretaxa que eleva a tarifa para 67%, tornando as vendas menos competitivas. Em 2025, a China respondeu por 48% das exportações brasileiras de carne bovina, com a compra de 1,68 milhão de toneladas do produto.

Especialistas avaliam que parte da carne inicialmente destinada ao mercado chinês deverá permanecer no Brasil, aumentando a oferta interna e favorecendo uma possível redução dos preços ao consumidor nos próximos meses. Segundo analistas do setor, o reflexo pode ser percebido já entre julho e agosto, com impacto também sobre os índices oficiais de inflação. No entanto, fatores climáticos e custos de produção ainda podem influenciar o comportamento dos preços.

Enquanto isso, frigoríficos intensificam a busca por mercados alternativos, como Estados Unidos, Chile, México, países do Oriente Médio, Sudeste Asiático, Hong Kong, Rússia e Filipinas. Apesar da diversificação, especialistas destacam que nenhum desses destinos possui capacidade de absorver, no curto prazo, o mesmo volume comprado pela China. Paralelamente, o setor também enfrenta exigências sanitárias da União Europeia relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos e à rastreabilidade da produção, o que amplia os desafios para as exportações brasileiras.

AO VIVO FM 99.1
POSITIVA FM