PF indicia ex-presidente do INSS, "Careca" e mais 46 investigados por fraude bilionária em benefícios
Relatório final da primeira fase da Operação Sem Desconto aponta esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões que pode ter causado prejuízo de até R$ 6,3 bilhões.
15/07/2026 - 12:05
A Polícia Federal concluiu a primeira fase da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas suspeitas de participação em um esquema nacional de fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral da autarquia, Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios, André Fidelis, e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". O relatório final, com 265 páginas, foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. Agora, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se apresenta denúncia, solicita novas diligências ou arquiva o inquérito.
Segundo a investigação, o grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa responsável por realizar descontos mensais não autorizados nos benefícios de aposentados e pensionistas, utilizando supostas filiações a associações sem o consentimento dos beneficiários. A Polícia Federal estima que o prejuízo causado pelo esquema possa chegar a R$ 6,3 bilhões. O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, também foi indiciado e é considerado foragido pelas autoridades.
Os crimes atribuídos aos investigados variam conforme a participação de cada um no esquema. Alessandro Stefanutto, Virgílio de Oliveira Filho e André Fidelis foram indiciados por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Já Antônio Carlos Camilo Antunes responde por lavagem de dinheiro e participação em corrupção passiva. De acordo com a Polícia Federal, Stefanutto teria recebido propinas mensais de até R$ 250 mil enquanto presidia o INSS, valores que seriam pagos por entidades envolvidas na fraude para manter o funcionamento do esquema.
As investigações tiveram início após auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), que identificaram indícios de irregularidades nos descontos realizados sobre benefícios previdenciários. A apuração foi aprofundada pela Polícia Federal, que revelou uma estrutura organizada para cadastrar aposentados e pensionistas em associações sem autorização. O relatório entregue ao STF não inclui outras frentes da Operação Sem Desconto, como as investigações envolvendo possíveis ramificações do esquema que continuam em andamento. As defesas de Alessandro Stefanutto e de Antônio Carlos Camilo Antunes informaram que ainda não tiveram acesso integral aos autos e, por isso, não irão se manifestar neste momento.