Alckmin diz que Lei da Reciprocidade não representa retaliação aos Estados Unidos
Vice-presidente afirma que resposta brasileira ao tarifaço dos EUA será baseada na defesa dos interesses nacionais, sem adotar a lógica do "olho por olho".
22/07/2026 - 09:29
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica pelo Brasil não deve ser interpretada como uma retaliação aos Estados Unidos. Segundo ele, a medida tem como objetivo defender os interesses nacionais diante da tarifa de 25% imposta pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros, sem abandonar o caminho do diálogo diplomático.
Durante entrevista coletiva, Alckmin destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou o governo a manter as negociações com os Estados Unidos desde o início das discussões comerciais. O vice-presidente reforçou que a Lei da Reciprocidade é um instrumento legal aprovado pelo Congresso Nacional e poderá ser utilizada "no momento adequado", caso seja necessário responder às medidas adotadas pelo governo americano.
O ministro classificou o aumento das tarifas norte-americanas como uma decisão "injusta e descabida". Ele argumentou que os próprios dados oficiais dos Estados Unidos mostram superávit comercial americano na relação com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos e afirmou que as justificativas apresentadas por Washington não condizem com a realidade da relação comercial entre os dois países.
Além da possibilidade de aplicação da Lei da Reciprocidade, o governo federal informou que prepara medidas de apoio aos setores brasileiros mais afetados pelo tarifaço. Segundo Alckmin, a prioridade continua sendo buscar uma solução negociada, preservando a parceria comercial entre os dois países e evitando uma escalada nas tensões econômicas.