Governo Lula avalia crise com Argentina como a maior desde a redemocratização
Palácio do Planalto considera que o desgaste diplomático com o governo de Javier Milei é o mais grave em mais de quatro décadas e aguarda os próximos desdobramentos da relação bilateral.
28/07/2026 - 09:55
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a atual crise diplomática entre Brasil e Argentina é a mais grave desde a redemocratização do país. A avaliação foi confirmada pelo assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, que afirmou que o momento representa o maior desgaste nas relações entre os dois países em mais de 40 anos.
Segundo integrantes do Palácio do Planalto, a comparação remete à crise de 1973, durante as negociações em torno do Tratado de Itaipu entre Brasil e Paraguai, quando a Argentina contestou o acordo por causa da utilização das águas da Bacia do Paraná. Desde então, mesmo diante de divergências políticas entre diferentes governos, as relações diplomáticas entre os dois países mantiveram canais permanentes de diálogo.
A atual tensão se intensificou após declarações do presidente argentino, Javier Milei, dirigidas ao presidente Lula, o que levou o governo brasileiro a adotar medidas diplomáticas, como consultas ao embaixador brasileiro em Buenos Aires e a convocação do embaixador argentino no Brasil para prestar esclarecimentos. Apesar do agravamento da crise, o Planalto informou que pretende aguardar os próximos movimentos do governo argentino antes de definir novas ações diplomáticas.
Embora o relacionamento político tenha atingido um dos momentos mais delicados das últimas décadas, especialistas avaliam que a parceria econômica entre Brasil e Argentina continua estratégica para ambos os países. O comércio bilateral e a integração entre setores produtivos seguem como fatores importantes para a manutenção do diálogo institucional, mesmo em meio ao impasse diplomático.