Auditoria do TCU aponta que PCC e Comando Vermelho usaram programas federais para aplicar golpes milionários
Relatório revela que facções criminosas recorreram a inteligência artificial, anúncios patrocinados e sites falsos para clonar programas do governo federal e atingir principalmente aposentados e famílias de baixa renda.

30/07/2026 - 10:52

Auditoria do TCU aponta que PCC e Comando Vermelho usaram programas federais para aplicar golpes milionários

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou que integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) ampliaram sua atuação no cibercrime ao utilizar programas sociais do governo federal como isca para aplicar golpes pela internet. Segundo o levantamento, as organizações criminosas criaram anúncios patrocinados e páginas falsas que imitavam plataformas oficiais para obter dados pessoais e pagamentos via Pix de milhares de vítimas.

O relatório analisou a atuação dos criminosos entre os dias 10 e 21 de janeiro de 2025 e identificou 1.770 anúncios fraudulentos. De acordo com o TCU, 83,2% dessas publicidades reproduziam logotipos oficiais, cores institucionais e a identidade visual de órgãos públicos e bancos estatais, como a Caixa Econômica Federal. Os criminosos também utilizaram recursos de inteligência artificial para manipular imagens e vozes de autoridades, conferindo maior credibilidade aos golpes.

Entre os principais alvos estavam programas como o Desenrola Brasil e o Voa Brasil. Nos golpes relacionados ao Desenrola, as vítimas eram induzidas a informar dados pessoais e pagar falsas taxas para renegociar dívidas. Já no Voa Brasil, aposentados do INSS eram atraídos por falsas consultas de elegibilidade e pela oferta de passagens aéreas inexistentes. O esquema também explorava anúncios falsos sobre valores a receber e supostos serviços do Banco Central.

O TCU alerta que os criminosos concentraram as fraudes em públicos mais vulneráveis, especialmente aposentados e famílias de baixa renda, que dependem de programas governamentais e possuem menor familiaridade com serviços digitais. Para evitar prejuízos, o tribunal recomenda que os cidadãos acessem benefícios apenas pelos canais oficiais do governo, desconfiem de anúncios patrocinados em redes sociais e nunca realizem pagamentos via Pix para liberar benefícios públicos ou fornecer dados pessoais em páginas cuja autenticidade não possa ser confirmada.

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