PF suspeita que lobista bancava com R$ 100 mil mensais casa usada por Lulinha
Investigação analisa conversa em que Roberta Luchsinger teria relatado custos de imóvel e pagamentos de passagens aéreas

25/08/2026 - 09:07

PF suspeita que lobista bancava com R$ 100 mil mensais casa usada por Lulinha

A Polícia Federal suspeita que a lobista Roberta Luchsinger desembolsava cerca de R$ 100 mil por mês para manter uma residência usada por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação consta de uma investigação baseada em uma conversa de agosto de 2025, transcrita pelos investigadores e obtida pelo Estadão.

Segundo o relato atribuído à lobista, ela teria discutido com Lulinha os custos do imóvel e afirmado que as despesas mensais dificultariam a continuidade do pagamento de passagens aéreas. Na conversa analisada pela PF, Lulinha teria respondido que procuraria diretamente empresários para tratar de pagamentos pendentes. A corporação ainda busca esclarecer exatamente qual imóvel foi mencionado.

Informações de um processo trabalhista indicam que Roberta mantinha uma casa em Brasília frequentada por Lulinha e utilizada para eventos com políticos. A defesa de Lulinha negou que a residência fosse dele e afirmou que ele apenas teria se hospedado eventualmente no local. Os advogados também disseram que, no período do diálogo, ele morava na Espanha e mantinha um apartamento em São Paulo.

A defesa também afirmou que Lulinha nunca foi sócio de Roberta e que, mesmo após a quebra de sigilo, a PF não teria identificado valores provenientes das empresas investigadas nas contas dele. A defesa da lobista não comentou o diálogo, enquanto os advogados do empresário Cléber Ribas classificaram os trechos divulgados como vagos e descontextualizados.

A investigação também apura possíveis atuações da lobista junto a outros órgãos e governos. Segundo a PF, Roberta teria intermediado interesses de Cléber Ribas junto ao governo do Maranhão, onde empresas do empresário obtiveram contratos de R$ 5,8 milhões. Os investigadores ainda buscam esclarecer a extensão da participação dos envolvidos e se as relações identificadas podem configurar tráfico de influência ou outras irregularidades.

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