89% dos cursos d’água de Goiânia estão em situação crítica, aponta Cimehgo
Descarte irregular de lixo, assoreamento, lançamento de esgoto e canalização ameaçam os mananciais responsáveis pelo abastecimento de 641 bairros da Região Metropolitana.
26/08/2026 - 11:42
Cerca de 76 dos 85 cursos d’água que passam por Goiânia estão em situação crítica devido à poluição e aos impactos provocados pela ação humana, segundo dados do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo). O número corresponde a aproximadamente 89% dos mananciais da capital.
Entre os principais problemas estão o descarte irregular de lixo e entulho, o assoreamento e o lançamento ilegal de esgoto e resíduos em córregos e ribeirões. O Ribeirão João Leite e o Rio Meia Ponte estão entre os cursos d’água citados. Desde abril, a Comurg retira, em média, 500 quilos de mato e lixo por dia em ações preventivas.
Outro fator apontado pelo Cimehgo é a canalização dos cursos d’água, associada à impermeabilização do solo. Segundo o órgão, essas intervenções contribuem para os alagamentos durante o período chuvoso, já que a água perde áreas naturais de escoamento e acaba se acumulando nas ruas e avenidas.
A situação preocupa ainda mais durante a estiagem. Os mananciais são responsáveis pelo abastecimento de 641 bairros da Região Metropolitana de Goiânia, e o Cimehgo alerta que, caso alguns cursos d’água cheguem a secar, parte da população poderá enfrentar falta de água.
As nascentes também estão ameaçadas. Um levantamento divulgado em 2023 identificou pelo menos 20 nascentes sem condições adequadas de proteção. Pelo Plano Diretor de Goiânia, as nascentes devem contar com uma Área de Preservação Permanente (APP) de 100 metros de raio, mas existem ocupações em áreas de nascentes de córregos.