Economia dos bicos cresce e 61% dos brasileiros buscam renda extra
Pesquisa aponta aumento na busca por atividades complementares e mostra diferença entre avanço da escolaridade e crescimento da renda

21/09/2026 - 10:26

Economia dos bicos cresce e 61% dos brasileiros buscam renda extra

A busca por uma segunda fonte de renda passou a fazer parte da rotina de uma parcela significativa dos moradores das grandes capitais brasileiras. Pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis (ICS), em parceria com a Ipsos-Ipec, mostra que 61% dos entrevistados realizaram algum tipo de atividade extra nos últimos 12 meses para complementar ou obter renda. O percentual representa aumento de cinco pontos em relação à rodada anterior, quando era de 56%.

O levantamento ouviu 3.500 internautas com 16 anos ou mais em dez capitais, incluindo Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Manaus e Porto Alegre. Entre as atividades mais citadas estão os serviços gerais, como faxina, manutenção e jardinagem, mencionados por 18% dos participantes. A venda de roupas e objetos usados apareceu com 13%, enquanto a produção de alimentos para comercialização foi citada por 11%. Em Goiânia, a proporção de pessoas que recorreram a atividades extras aumentou 14 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.

A necessidade de complementar a renda é mais frequente entre alguns grupos. Entre pessoas das classes D e E, 67% realizaram alguma atividade adicional no período analisado. O índice chegou a 69% entre famílias com renda de até dois salários mínimos e também entre pessoas com deficiência ou que convivem com alguém com deficiência. A pesquisa aponta ainda que 45% dos entrevistados consideraram a renda estável nos últimos 12 meses, enquanto 31% disseram que ela diminuiu e 18% relataram aumento.

O levantamento também identificou diferença entre o avanço educacional e a evolução financeira. Embora 73% dos entrevistados tenham alcançado escolaridade superior à dos pais, apenas 46% afirmaram ter renda maior que a geração anterior quando comparados na mesma idade. A alimentação foi apontada por 87% como um dos principais gastos que pressionam o orçamento familiar, seguida por saúde e moradia, ambas com 57%. Entre as mudanças de consumo, 35% relataram aumento na compra de ovos, enquanto 41% reduziram o consumo de carnes, 34% de laticínios e 30% de frutas, legumes e verduras.

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