Brasil e Estados Unidos vivem período de tensão diplomática e comercial
Relação entre os dois países foi marcada por tarifas, sanções e divergências políticas; Lula e Trump estarão na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira
21/09/2026 - 11:10
A relação entre Brasil e Estados Unidos atravessa um período de tensão diplomática e comercial, marcado por medidas tarifárias, sanções e divergências políticas. Segundo a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), um relatório encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026 e alerta para uma possível escalada da pressão norte-americana sobre o Brasil.
As medidas comerciais começaram a ganhar força em 2025. Em julho deste ano, o governo de Donald Trump anunciou uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, que atingiu 19% das exportações do país para os Estados Unidos. Dias depois, foi aplicada uma tarifa adicional de 12,5%, sob a justificativa de que o Brasil não adotaria mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Com isso, parte dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos pode ser tributada em até 37,5%.
As divergências também envolveram decisões da Justiça brasileira e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. O governo norte-americano criticou a atuação do Judiciário brasileiro e aplicou a Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci Moraes. Outros ministros do STF também tiveram os vistos de entrada nos Estados Unidos cancelados. Em dezembro de 2025, Moraes e sua esposa foram retirados da lista de sancionados pela Lei Magnitsky.
Apesar das divergências, Brasil e Estados Unidos mantêm canais de negociação. Lula e Trump já tiveram encontros presenciais e conversas telefônicas, incluindo uma ligação de 1h20 em agosto, iniciada pelo presidente brasileiro, para tratar da retomada das negociações comerciais e de conflitos internacionais. Os dois estarão novamente em Nova York nesta terça-feira (22), durante a 81ª Assembleia Geral da ONU. Lula fará o discurso de abertura, seguido por Trump, mas não há encontro bilateral entre os dois presidentes confirmado.