Goiás troca empresas ligadas a intermediários do PCC por empresa investigada pela PF
Fabermed FMC assumiu contratos em três hospitais administrados pelo Imed, com valor de R$ 8,9 milhões por mês

21/09/2026 - 11:17

Goiás troca empresas ligadas a intermediários do PCC por empresa investigada pela PF

Pelo menos três hospitais do governo de Goiás administrados pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed) estão encerrando contratos com empresas que, segundo investigações policiais citadas pelo Metrópoles, tinham ligações com intermediários apontados como integrantes de uma rede de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em substituição, uma empresa de uma médica investigada pela Justiça passou a prestar serviços nas unidades.

A Fabermed FMC Soluções em Saúde, que tem entre as sócias a médica Gleycianne França, firmou contratos para fornecer médicos aos hospitais de Formosa, Uruaçu e Trindade. Os acordos somam R$ 8,9 milhões por mês. Em uma das contratações, a proposta da empresa ficou R$ 770 abaixo da segunda colocada, enquanto outras quatro concorrentes foram desclassificadas.

Gleycianne responde a um inquérito no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), ao lado do deputado federal e ex-secretário de Saúde de Goiás Ismael Alexandrino (PSD-GO). Segundo registros da investigação, ela teria participado de processos que simulariam concorrência para favorecer uma empresa ligada ao irmão do parlamentar. Um juiz citou 11 declarações consideradas falsas em processos de seleção de fornecedores. Gleycianne nega as suspeitas e afirma que nunca teve relação com Alexandrino. A defesa do deputado também nega irregularidades e classificou as acusações dos investigadores como “pura leviandade”.

O Imed administra três hospitais e duas policlínicas em Trindade, Formosa, Uruaçu e Posse. Entre 2020 e 2025, a organização social recebeu R$ 1,7 bilhão em recursos do Ministério da Saúde repassados pelo governo estadual. A Secretaria de Saúde informou à reportagem que não é responsável pelas contratações, enquanto o Imed não se manifestou sobre os questionamentos. A médica e o sócio Lucas Nogueira Taveira Adorno também negaram irregularidades nos novos contratos.

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