Rússia e Ucrânia intensificam ataques após novas negociações com os Estados Unidos
Bombardeios deixam feridos nos dois países, enquanto Moscou sinaliza retomada das conversas de paz para novembro, em meio aos esforços de mediação do governo norte-americano.
22/10/2026 - 11:21
A Rússia e a Ucrânia intensificaram os ataques nesta quinta-feira (22), apesar das novas tentativas de mediação dos Estados Unidos para encerrar a guerra. Mísseis russos atingiram Kiev nas primeiras horas do dia, deixando 15 pessoas feridas e danificando a infraestrutura do metrô na Ponte Sul, sobre o rio Dnipro. Os bombardeios ocorreram depois de outro ataque à capital ucraniana na noite de quarta-feira (21), que deixou seis pessoas feridas. Na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, um ataque russo matou uma mulher e feriu outras quatro pessoas, segundo autoridades locais.
Em resposta, a Ucrânia lançou centenas de drones em direção a Moscou durante a noite. De acordo com o prefeito da capital russa, Sergei Sobyanin, dois moradores ficaram feridos nos arredores da cidade, e a maioria dos drones foi interceptada a longa distância. Na cidade de Lipetsk, um homem também ficou ferido após drones atingirem prédios residenciais e uma unidade de saúde. Os ataques demonstram a continuidade das ofensivas dos dois países, mesmo diante das iniciativas diplomáticas para interromper o conflito.
A escalada acontece após reuniões realizadas nesta semana pelo enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Steve Witkoff, com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o presidente russo, Vladimir Putin. Zelensky afirmou na quarta-feira que a Ucrânia apoia a proposta norte-americana de realizar conversas trilaterais entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos o mais rápido possível. O Kremlin, por sua vez, informou que Putin concordou, em princípio, em retomar as negociações de paz com Kiev, mediadas pelos norte-americanos, no próximo mês.
Os ataques também atingiram estruturas estratégicas. Na região de Poltava, na Ucrânia, um drone atingiu a infraestrutura energética da área de Kremenchuk, importante polo industrial que abriga uma das maiores refinarias de petróleo do país. As autoridades locais divulgaram a informação, mas não apresentaram detalhes sobre a extensão dos danos. A região já foi alvo de ataques russos anteriores desde o início da guerra.
A invasão russa da Ucrânia começou em 2022, após a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014. Desde então, o conflito provoca mortes, destruição de infraestrutura e impactos econômicos e humanitários. Apesar das recentes conversas entre representantes dos dois países e dos Estados Unidos, os ataques continuam, enquanto a possibilidade de retomada das negociações em novembro abre uma nova etapa nos esforços diplomáticos para buscar uma solução para a guerra.