Vendas de alimentos crescem 6,5% após restrições às bets, aponta Abras
Levantamento registra aumento no consumo de produtos essenciais em supermercados; entidade relaciona resultado à redução das apostas, mas dados não comprovam transferência direta de recursos

29/10/2026 - 09:55

Vendas de alimentos crescem 6,5% após restrições às bets, aponta Abras

As vendas de alimentos no varejo brasileiro cresceram 6,5% na semana de 5 a 11 de outubro e 6,3% entre os dias 12 e 18, na comparação com os mesmos períodos de 2025. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), durante a feira Supervendas, em Aracaju (SE), na quarta-feira (28). A entidade relaciona o avanço à redução das apostas on-line após as restrições impostas pelo governo federal.

O crescimento foi observado em diferentes formatos de varejo, incluindo supermercados, atacarejos e lojas de vizinhança. Entre os produtos que tiveram aumento nas compras estão arroz, óleo, macarrão e café, itens essenciais da cesta de consumo das famílias. Segundo o presidente da Abras, João Galassi, o avanço ocorreu em diferentes modelos de negócio acompanhados pela associação.

Na primeira semana analisada, o Sul e a região que reúne Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro registraram as maiores altas, ambas de 10,6%. O Nordeste teve crescimento de 6,5%, enquanto o Centro-Oeste avançou 3,6%. Na semana seguinte, o Sul manteve a liderança, com aumento de 9%, seguido pela região de Minas Gerais, Espírito Santo e interior fluminense, com 7,1%. O Centro-Oeste registrou alta de 3,5%.

A Abras também apontou redução nas transações via Pix após as restrições às apostas. Segundo os números citados pela entidade, a queda inicial foi de aproximadamente 10% e, posteriormente, ficou em torno de 7%. A associação considera que parte dos recursos antes destinados às apostas pode ter sido direcionada à compra de alimentos. Entretanto, os dados não comprovam que o dinheiro deixou as plataformas de apostas e foi transferido diretamente para o consumo nos supermercados.

A entidade ressalta que outros fatores também influenciam o orçamento das famílias, como renda, preços, benefícios sociais e despesas essenciais. Para estabelecer uma relação direta entre as restrições às apostas e o aumento das vendas de alimentos, seria necessário analisar os gastos com jogos, os meios de pagamento e as compras dos consumidores, isolando os demais fatores econômicos.

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