PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crimes contra o sistema financeiro
Ex-ministro da Economia e empresário Fábio Lino, dono da OnilX, são investigados em inquérito sigiloso que tramita na Justiça Federal do Paraná
29/10/2026 - 10:11
A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito foi aberto em 10 de fevereiro de 2026 e tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba. A investigação apura a atuação da empresa, que enfrenta processos judiciais de investidores que afirmam não conseguir recuperar valores aplicados em criptomoedas. Guedes e Fábio Lino aparecem como investigados no procedimento policial.
Segundo informações obtidas pela coluna do Metrópoles, Guedes prestou consultoria à OnilX, participou de reuniões estratégicas, recebeu potenciais investidores em conversas privadas e teve sua imagem utilizada em materiais de divulgação da companhia. Em uma publicação da própria empresa, o ex-ministro aparece ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa, em uma reunião apresentada como estratégica. Guedes também participou de palestras para investidores e assessores, nas quais elogiou a atuação da empresa no mercado digital.
A relação do ex-ministro com a companhia também aparece em processos judiciais. Um casal que cobra R$ 876,5 mil da OnilX afirmou que decidiu manter e ampliar os investimentos após participar de uma reunião com Guedes na sede da empresa, em abril. Quatro meses depois, os investidores tentaram resgatar os valores, mas não conseguiram. Em outro processo, uma assessora da companhia mencionou a participação do ex-ministro para convencer um potencial cliente a investir entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, oferecendo a possibilidade de uma reunião para discutir estratégias.
A OnilX enfrenta problemas regulatórios desde janeiro, quando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, a autarquia manteve a ordem, mas esclareceu que a restrição não abrangia a simples intermediação de criptomoedas, como Bitcoin, Ethereum e USDT, quando não houvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento. A coluna identificou 108 ações judiciais contra a empresa entre 12 de junho e 10 de setembro. Investidores relatam dificuldades para resgatar recursos e levantam suspeitas de pirâmide financeira. A OnilX nega as acusações e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais. Paulo Guedes e Fábio Lino não se manifestaram quando procurados pela reportagem.