Após reeleição de Lula, mercado eleva previsão de inflação para 5,3% em 2027
Pesquisa com gestores e profissionais de bancos aponta aumento das expectativas de inflação; dólar mais alto e preocupação com gastos públicos estão entre os fatores de pressão

02/11/2026 - 08:29

Após reeleição de Lula, mercado eleva previsão de inflação para 5,3% em 2027

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou analistas do mercado financeiro a elevar as projeções de inflação para os próximos anos. Pesquisa realizada pela corretora BGC Liquidez, com cerca de 30 gestores e profissionais de tesourarias de bancos, aponta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderá chegar a 5,3% em 2027 e 4,3% em 2028. Os números representam uma piora em relação às estimativas anteriores ao segundo turno das eleições.

O levantamento indica que a expectativa de inflação para 2027 passou de 4,34% para 5,3%. Para 2028, a projeção subiu de 3,75% para 4,3%. A meta oficial de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Entre os participantes da pesquisa, 11% estimam que a inflação poderá superar 6% no próximo ano.

Segundo o economista Carlos Thadeu, da BGC Liquidez, a revisão está relacionada à preocupação com os gastos públicos e à valorização do dólar. A moeda americana passou de R$ 4,99 para R$ 5,44 em duas semanas, movimento que pode pressionar os preços dos combustíveis. O Brasil importa cerca de 30% do diesel consumido no país, e a alta do dólar pode elevar os custos dos produtos negociados internacionalmente.

Outro fator de preocupação é a situação das contas públicas. Economistas estimam que o governo precisará realizar um ajuste de pelo menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos para estabilizar a dívida pública, que se aproxima de 83% do Produto Interno Bruto (PIB). A falta de uma sinalização clara sobre como esse ajuste será realizado contribui para a cautela dos investidores.

A revisão das expectativas também reduziu as apostas em uma queda dos juros. Com a taxa Selic em 13,75% ao ano, o mercado passou a considerar mais provável a manutenção do patamar na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira (4). Segundo a BGC Liquidez, os contratos futuros indicam apenas 20% de probabilidade de redução de 0,25 ponto percentual. Para 2027, a curva de juros já sinaliza a possibilidade de aumento de 1,5 ponto percentual.

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