Voto distrital misto pode mudar eleição de deputados e vereadores em Goiás a partir de 2030
Proposta defendida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, prevê combinar votação por regiões e listas partidárias; mudança ainda depende de aprovação de uma PEC

03/11/2026 - 11:01

Voto distrital misto pode mudar eleição de deputados e vereadores em Goiás a partir de 2030

A possível adoção do voto distrital misto no Brasil poderá alterar a forma como os eleitores de Goiás escolhem deputados federais, deputados estaduais e vereadores. A proposta, defendida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), prevê substituir o atual sistema proporcional por um modelo que combina a eleição de representantes por regiões com a distribuição de vagas por listas partidárias. A discussão deve avançar ainda em 2026, mas a mudança depende da elaboração e aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A previsão em debate é iniciar a transição em 2030 e implementar o sistema integralmente em 2034.

No modelo atual, os votos recebidos pelos candidatos são somados aos votos de seus partidos ou federações, determinando quantas cadeiras cada legenda conquista. A votação individual define quem ocupa as vagas, permitindo que candidatos com grande número de votos ajudem a eleger outros integrantes da mesma chapa. Com o voto distrital misto, o eleitor passaria a ter dois votos: um para escolher o candidato que representará seu distrito e outro para definir o partido ou a lista partidária. Aproximadamente metade das cadeiras seria preenchida por representantes eleitos diretamente nos distritos, enquanto as demais seriam distribuídas conforme o desempenho das legendas e listas previamente ordenadas.

Em Goiás, a mudança poderá impactar a eleição dos 17 deputados federais e dos 41 deputados estaduais. Caso metade das vagas seja destinada aos distritos, aproximadamente oito ou nove deputados federais e 20 ou 21 estaduais seriam escolhidos diretamente por regiões eleitorais. O mesmo princípio poderia ser aplicado às câmaras municipais dos 246 municípios goianos. A divisão territorial, a quantidade de distritos e os critérios para distribuição das vagas ainda não foram definidos. Candidatos com atuação regional poderiam ganhar espaço, enquanto políticos que concentram votos em diferentes cidades teriam de adaptar suas estratégias eleitorais.

A proposta também pode reduzir a influência dos chamados puxadores de votos, candidatos que, no sistema atual, ajudam a ampliar a representação de seus partidos devido à votação expressiva. Por outro lado, a adoção de listas partidárias fechadas aumentaria a importância das direções das legendas na escolha dos representantes que ocupariam parte das cadeiras. A mudança levanta discussões sobre a democracia interna dos partidos, a definição da ordem dos candidatos e a representação de grupos políticos e regiões com votos dispersos. As regras definitivas ainda dependem da tramitação da proposta no Congresso Nacional.

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