Carne bovina de Goiás pode gerar US$ 51 milhões extras em exportações para a Europa
Acordo entre Mercosul e União Europeia prevê redução de tarifas e pode ampliar a competitividade da produção goiana. Entretanto, embargo europeu à carne brasileira impede o aproveitamento imediato da oportunidade.

04/11/2026 - 09:12

Carne bovina de Goiás pode gerar US$ 51 milhões extras em exportações para a Europa

A venda de carne bovina produzida em Goiás para a União Europeia poderá gerar uma receita adicional de aproximadamente US$ 51 milhões por ano, segundo estimativa da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). O potencial está relacionado ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que prevê redução das tarifas de importação e melhores condições de competitividade para os produtos brasileiros no mercado europeu. A projeção considera a implementação completa das medidas, prevista para ocorrer gradualmente ao longo de aproximadamente dez anos.

Do total estimado, US$ 38,7 milhões correspondem ao possível aumento das exportações de carne desossada e congelada, enquanto US$ 12,3 milhões seriam provenientes de cortes frescos ou refrigerados. O acordo estabelece uma cota de 99 mil toneladas de carne bovina para os países do Mercosul, das quais aproximadamente 42 mil toneladas serão destinadas ao Brasil. Dentro desse limite, a tarifa de importação será de 7,5%, enquanto anteriormente as alíquotas variavam entre 42% e 46%. Em 2025, Goiás exportou cerca de US$ 170,1 milhões em carne bovina para a União Europeia.

Apesar da perspectiva positiva, o setor enfrenta um obstáculo: desde 3 de setembro, a União Europeia suspendeu as importações de produtos de origem animal do Brasil, após retirar o país da lista de nações que atendem às exigências do bloco sobre o uso de antimicrobianos na criação de animais. Segundo a Fieg, Goiás deixa de exportar aproximadamente US$ 16,8 milhões por mês em carne bovina enquanto a restrição estiver em vigor. A retomada depende da adequação dos controles sanitários e da rastreabilidade dos animais, processo que pode levar de 30 a 36 meses na pecuária bovina. Dessa forma, o potencial de receita previsto pelo acordo depende tanto da implementação das vantagens comerciais quanto da solução do embargo europeu.

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