Banco Central mantém Selic em 13,75% ao ano e interrompe ciclo de cortes nos juros
Decisão do Copom encerra sequência de cinco reduções consecutivas. Inflação acima do esperado e incertezas sobre as contas públicas estão entre os fatores que influenciaram a medida.
05/11/2026 - 08:43
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (4) e interrompe uma sequência de cinco cortes consecutivos iniciada em março de 2026. A manutenção era esperada pela maioria das instituições financeiras consultadas antes da reunião.
A decisão ocorre em meio ao aumento das expectativas de inflação e às incertezas sobre a condução da política fiscal do próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito em 25 de outubro. As projeções para a inflação de 2027 chegaram a 4,76%, segundo o boletim Focus, acima do limite de tolerância de 4,5% estabelecido para a meta. Em setembro, a inflação acumulada em 12 meses estava em 4,58%.
A trajetória de redução dos juros começou depois que a Selic atingiu 15% ao ano em junho de 2025, permanecendo nesse patamar até março de 2026. Desde então, foram cinco reduções de 0,25 ponto percentual, que levaram a taxa para os atuais 13,75%. Na reunião anterior, em 16 de setembro, o Copom havia reduzido os juros de 14% para 13,75% ao ano.
A manutenção da Selic tem impacto direto no custo do crédito, dos financiamentos e dos investimentos. Juros elevados tendem a encarecer empréstimos e restringir o consumo e os investimentos de empresas e consumidores. A taxa também é utilizada pelo Banco Central como instrumento para controlar a inflação. A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 8 e 9 de dezembro, quando o comitê voltará a avaliar o cenário econômico e a trajetória dos preços.